A auscultação realizada na sessão sobre temas da formação cujo tema central foi a abordagem formativa com os jovens em situação NEET teve os seguintes elementos de reflexão:

A animação da sessão esteve a carga de

Bassou Bebyoucef – Asmoune

Carlos Ribeiro – Caixa de Mitos

Programa

Parte 1: Enquadramento realizado por Carlos Ribeiro. Os objectivos do Comwork e a visão da Caixa de Mitos sobre os processos formativos e as competências dos profissionais para agirem com jovens em situação NEET.

Parte 2: Casos e experiências associados às metodologias de formação visando o DPA – Desenvolvimento do Poder de Agir.

PARTE 1 – O enquadramento do debate e da auscultação foi realizado por Carlos Ribeiro que desenvolveu os seguintes temas

 

1.     Porque se justifica uma abordagem formativa específica para jovens em situação NEET?

2.     O que é comum aos restantes processos formativos

 

 

Porque se justifica uma abordagem formativa específica para jovens em situação NEET?

Importa como ponto de partida contrariar o processo de “guetização” em curso, através da linguagem, com a denominação de “jovens NEET”.

Esta forma de mencionar os destinatários das acções formativas que sendo jovens em situação cumulativa de não estarem em emprego, nem na escola ou em formação profissional traduz-se numa progressiva categorização social como se fez para os desempregados. Desempregado passou a ser um “estatuto” social em vez de apenas traduzir uma situação face ao emprego.

O que está a acontecer com os jovens que acumulam várias situações negativas nos diversos planos do emprego e da qualificação é o mesmo.

Não existem “jovens NEET”. Existem situações negativas no plano social nas quais pessoas concretas, no caso jovens, podem estar inseridas. Mas não se é “NEET”, está-se cumulativamente em várias situações de carência que podem, para além do emprego, do ensino, da formação ser de habitação (estar sem casa), de saúde (estar sem mobilidade), de enquadramento social (desligado dos sistemas de apoio), etc.

 

Nesses termos a primeira questão que se coloca em termos de definição das competências dos técnicos de intervenção é a “contextualização” dos jovens potencialmente participantes em iniciativas de formação em termos de “desconstrução” de representações negativas associadas a estereótipos como o os “toxidependentes”, os “ciganos”, “os marginais”, etc

A segunda vertente a considerar prende-se com um aprofundamento do contexto específico de cada jovem que acumula situações sociais e pessoais negativas, na sua relação com actividades formativas, ou seja, se propostas oriundas de contextos exteriores à sua condição (lógica da OFERTA) têm sentido e se podem apresentar algum interesse. Importa aferira da utilidade de cursos de formação face a um estado de extrema vulnerabilidade e sobretudo de descrença face ao futuro na qual cada jovem em situação NEET se encontra.

 

Tudo indica que neste plano terão que ser invertidas as estratégias do lado da oferta e que as lógicas de actuação centradas na “motivação” para participação em acções de formação, deverão ser invertidas para uma abordagem do lado da “procura”, ou seja partir das prioridades dos jovens e co-construir, com eles , as soluções de actividade em comum que podem ter interesse e impacto nas suas competências e no seu desenvolvimento.

 

Uma outra dimensão da especificidade na abordagem aos jovens em situação NEET absolutamente indispensável para aproximar o mais possível é a sua segmentação, pelo menos nos termos das 4 grandes categorizações do Relatório do Eurofund: os desempregados estruturais; os indisponíveis; os desfiliados; os activos na procura de oportunidades.

A abordagem inicial será certamente diferenciada e a importância das actividades formativas deverá certamente ser relativizada pela combinação criativa a ser construída a partir de uma determinada classificação genérica e as especificidades do sujeito.

O que pode ser comum aos restantes processos formativos?

 

A justificarem-se actividades com forte componente formativa tudo indica que a sua organização deva orientar-se pelos princípios e metodologias próprios da educação não-formal em detrimento da formação estruturada pelo modelo dominante, o modelo escolar.

Por outro lado será indispensável inserir os processos formativo num percurso que tenha sentido e tenha sido desenhado com o jovem participante, associando aprendizagens a dinâmicas relacionadas com a vida quotidiana.

Importará ainda centrar as dinâmicas de formação na acção, adoptando uma metodologia activa e participada tendo por base a co-produção.

A par de processos de formação cujos programas são co-construídos com os jovens que são acompanhados deverão ser privilegiados os processos formativos entre e por pares. Garantir que a base das aprendizagens se situa na proximidade e no contexto familiar de cada participante.

Por último a função dos profissionais que acompanham e dinamizam estas acções de base formativa deverão desempenhar funções de:

  • facilitadores e não de formadores;
  • mediadores entre os recursos e os jovens e não de organizadores da formação
  • inspiradores freirianos influenciando relações fortes com a cidadania activa e estimulando iniciativas de educação transformadora e de de apoio à mudança social.

Parte 2: Casos e experiências associados às metodologias de formação visando o DPA – Desenvolvimento do Poder de Agir

Os participantes na sessão apresentaram as suas experiências de formação com um sentido adaptativo aos contextos peculiares e às pessoas específicas que acompanham.

  • música: o caso das “orquestras geração”
  • desporto: a Fundação Benfica e o Programa “para ti se não faltares”
  • teatro: o Teatro Ibisco, teatro interbairros para a inclusão
  • vela: o Náutico Clube Boa Esperança e as experiências no Programa Alfama Mar
  • judo: a escola Nuno Delgado e os programas de inclusão social

Das experiências relatadas e dos debates emergiram pontos de convergência e de quase unanimidade que foram sistematizados por Carlos Ribeiro da seguinte forma

  • a necessidade imperiosa de na base de toda a actividade formativa e de acompanhamento estarem as parcerias locais. Sem a complementaridade de funções, pessoas, estilos, culturas formativas de diversas organizações não é possível atingir os objectivos de envolvimento e de comprometimento dos participantes num processo de efectivo desenvolvimento. Será um erro pensar estas actividades como um “Curso”, sabendo-se que a relação passada dos jovens potencialmente participantes com a escola é no mínimo tensa e poderá inclusive estar associada à ideia do fracasso e da exclusão.
  • A mobilização dos recursos do território como fundo do plano de actividades, com áreas a serem exploradas de forma prioritária (em oposição á lógica formativa na sala de aula ou sala de formação). Desporto, cultura, teatro, vídeo, cinema, artesanato, estas e outras áreas da vida local serão os campos prioritários
  • A função mediadora assenta numa postura e numa acção baseada na neutralidade e na imparcialidade
  • O fazer com implica uma relação com a pessoa mas também com o seu contexto (envolvente) designadamente a família e os grupos de pertença.

Parte 2: Casos e experiências associados às metodologias de formação visando o DPA – Desenvolvimento do Poder de Agir.

O estudo do caso TAPAJ – Trabalho Alternativo Pago ao dia www.tapaj.org

Os temas da auscultação foram abordados com uma aplicação directa ao programa que se estrutura como Ponte para o Acompanhamento de jovens que vivem em situação de vulnerabilidade social extrema nomeadamente na rua e em errância.

Trata-se de uma abordagem que implica:

  • identificação: o trabalho de localização concretiza-se a partir de “educadores de rua” que realizam actividades de acompanhamento e de apoio. Neste domínio importa salientar as competências de adaptação ao meio e as capacidades de gestão dos mecanismos de aproximação e de gestão da distância;
  • pedagogia contornativa: uma abordagem pelos caminhos estreitos, por processos de incidência secundária mas que facilitam o caminho para um objectivo central;
  • sistema de valorização: colocar os participantes em situação de valorização e auto-reconhecimento para cimentar as condições de auto-estima e de confiança que são condição para qualquer participaçãoo formativa futura.

Carlos Ribeiro | Caixa de Mitos

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